As eleições 2018 se aproximam e dentro de poucos dias os brasileiros irão às urnas eleger  presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. Esse é o oitavo processo eleitoral após a redemocratização, em 1989.

Apesar de as eleições serem democráticas e ouvirem a vontade da maioria do povo para escolher os seus representantes, existe muita polêmica acerca da segurança digital que envolve o processo.

As eleições 2018 é uma das mais importantes e imprevisíveis dos últimos tempos, pois acontece após um período de três anos de crise econômica e política, o que resultou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

Também faz parte desse cenário a posse de Michel Temer (MDB) ao cargo de chefe do executivo, sendo esse um dos governos mais impopulares da história do país, com índices de rejeição chegando a 74%.

Dentro desse contexto, vamos abordar alguns tópicos que envolvem o período eleitoral e a segurança digital, bem como dicas para pesquisar sobre os candidatos de forma segura. Acompanhe!

Fake news

As fake news são informações falsas ou manipuladas divulgadas na internet. Comumente, elas partem de “veículos alternativos”, mas que são bancados por partidos políticos para influenciar a opinião pública.

Um exemplo recente da força das fake news foi o caso da deputada estadual pelo RS e candidata a vice-presidenta na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, Manuela D’Ávilla (PCdoB). A candidata foi notificada pelo Ministério Público por conta de um suposto post nas redes sociais, em que estaria incitando a violência, por portar uma arma junto a sua filha de três anos.

Manuela conseguiu provar que se tratava de uma montagem, uma foto manipulada digitalmente, o que também é considerado fake news. As páginas de redes sociais que compartilharam tal imagem agora estão sendo notificadas para que retirem as publicações do ar.

Bots

Apesar de as fake news já serem bastante graves, existe um outro problema que as tornam ainda mais devastadoras. São os bots: robôs em forma de perfis falsos nas redes sociais, programados para compartilhar posts e participar de discussões em fóruns e sessões de comentários nas redes sociais.

A preocupação é que os robôs, que muitas vezes ainda incitam o discurso de ódio, podem influenciar as pessoas menos informadas ou com dificuldades de interpretação e discernimento para que votem em determinado candidato. Isso pode adulterar os resultados nas urnas, modificando o rumo do país e interferindo no resultado democrático das eleições.

Deep web e dark web

Para explicar o conceito de deep web, é interessante fazermos analogia a um iceberg. Nesse caso, a internet convencional, que utilizamos no nosso dia a dia para acessar sites, redes socais, este blog, entre outros, está na ponta do bloco de gelo. Ou seja, correspondem à parte que está visível para todos.

No entanto, existe uma infinidade de conteúdos que não são acessados pelos cidadãos comuns, que está na camada mais baixa baixo do iceberg, a chamada deep web. Trata-se de um espaço destinado para compartilhamento de informações que não podem ser vazadas sob nenhuma hipótese, como investigações policiais, por exemplo.

Apesar disso, hackers podem conseguir acessar a deep web, criando novos espaços: a chamada dark web. Nesse local da deep web já foram cometidos crimes graves, como pornografia infantil e comércio de drogas, armas e órgãos humanos. Nas eleições, esse espaço também pode ser utilizado por grupos mal intencionados para troca de informações. Ou, até mesmo para comprar ataques virtuais a determinados candidatos ou partidos políticos.

Outro crime que pode ser cometido é a negação de serviços, conhecido pela sigla “DDos”. Esse tipo de ataque pode ser utilizado por hackers para tirar do ar canais de candidatos, partidos, do Governo, ou mesmo do Tribunal Eleitoral.

Biometria

O voto é pessoal e intransferível, de modo que cada cidadão tem o direito de escolher o candidato que, em sua visão, é o melhor para administrar o país e os estados. Apesar disso, não são incomuns as denúncias de pessoas que votam por outras ou que são persuadidas a votar em candidatos que não são os seus, por imposição de grupos das quais fazem parte.

Para tentar contornar essa situação, foi implantado no Brasil o sistema de biometria, que será utilizado pela primeira vez em 2018  A ideia é que os usuários tenham a impressão digital lida por um dispositivo, que as compara com os dados cadastrados no sistema do Tribunal Eleitoral.

Porém, apesar de difícil, também não é impossível burlar esse sistema, uma vez que ele não faz a leitura completa da impressão digital das pessoas. Desse modo, alguém que tem a biometria parecida com a de outra pessoa, poderia tentar se passar por ela no momento da votação.

Urna eletrônica

Outra questão polêmica e que envolve as eleições e a tecnologia são as urnas eletrônicas. Há quem diga que elas podem ser fraudadas e os votos serem direcionados para outros candidatos, modificando os resultados do pleito eleitoral. Um estudo feito em 2014 pela Unicamp encontrou uma brecha nos sistemas das urnas eletrônicas. O grupo de pesquisadores da instituição quebrou o sigilo em uma urna fictícia e foi capaz de embaralhar a ordem dos votos na urna.

Apesar disso, recentemente, em resposta ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que questionou a segurança das urnas eletrônicas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, reafirmou que as urnas são totalmente confiáveis.

Toffoli ainda argumentou que os sistemas de auditagem das urnas são abertos ao público e que todos os partidos políticos podem participar do processo de preparação, que ocorre seis meses antes das eleições.

De maneira geral, podemos dizer que as eleições 2018 estão sendo mais polêmicas dos que as anteriores, no que se refere à segurança e à tecnologia. A nós, eleitores e cidadãos, cabe nos informarmos bem sobre as fontes em que acessamos notícias a respeito dos candidatos. Também é importante estar atento e denunciar qualquer irregularidade que presenciarmos, seja ela no ambiente físico ou digital.

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